Tenho lido muitos manifestos, reflexões e reclamações de blogueiras que falam do universo feminino, sempre com um levantamento central: uma aparente deteriorização atual nas relações entre as publishers, seus conteúdos e suas parcerias. A analogia é simples: a partir do momento em que uma fruta apodrece na sua cesta, todas com o tempo acabam se contaminando.
Com os blogs tem acontecido mais ou menos assim, e não é de hoje. Não sei se é algo geral, mas vejo com maior ênfase no universo feminino. Ter um blog de moda e beleza tornou-se um caminho fácil para a auto-promoção. É muito mais que ganhar brindes. As meninas querem massagear o ego, ser famosas.
Construímos um novo contexto social em que os parâmetros de celebrização mudaram. Para ter seus quinze minutos de fama, ser competente não é mais o caminho mais viável. O que vale agora é aparecer, polemizar, ser visto (mesmo que de maneira negativa). Aí temos o primeiro problema, uma vez que vejo muitas blogueiras medíocres fazendo sucesso. Nâo temos quase nada de inovador, de realmente bom.
O outro problema é que criar um blog é como criar um email: fácil demais. Ter domínio, um layout bonito, uma máquina razoável pra bater fotos não é coisa de outro mundo. E com tantas promessas de sucesso a um custo acessível é tentador, bastante. Estou dizendo que as pessoas não deveriam ter blogs? Lógico que não! Cada um tem livre arbítrio pra fazer o que quiser.
A verdadeira raíz do problema pra mim é a paixão. Ou a falta dela. O amor e a dedicação por algo é que motivam e objetivam nossas ações. E o que eu vejo por aí é uma profusão de projetos sem paixão. Acho que a minoria das meninas pensa com carinho em como criar e estruturar um bom blog. O que você deseja? Quais são os seus objetivos?
Pra dar um exemplo mais claro, falo de mim: nunca foi meu objetivo transformar este espaço em algo meramente comercial. O que surge é o que pinta, não que eu procuro. Por isso nunca fiz questão de todos esses recursos para profissionalizar. Escrevo para me conhecer, para me ajudar. E acabo sendo ajudada por todos que passam por aqui. Cada comentário, email e feedback que tenho me ajuda a repensar, melhorar. E acabo ajudando também outras pessoas. E na evolução desse ciclo eu percebo que o Renata Checha cumpre sua missão.
E é sobre cumprir missões que cada um dos autores e autoras de tantos blogs por aí deveriam pensar um pouco mais.
A imagem deste post é daqui.















