O que me motivou a largar a minha leitura e escrever esse post foi um desses meus passeios pela timeline no twitter. Comecei a reparar na quantidade de "atitude" representada: de composição e descrição de perfil até a verborragia pronunciada: todas querem ser bad girls. Bad, bad girl, Gaga. Fala palavrão, senta de perna aberta, cospe, beija outras garotas e canta Katy Perry, grita pro macho quando tá a fim de transar e posta umas fotos ousadas no twitpic pra mostrar que é gostosa pra caralho.
Pensando um pouquinho eu até entendo isso como uma estratégia instintivista de preservação da espécie. Do the math: tá sobrando mulher, tá faltando homem, aula de biologia, Darwin, seleção natural. Os mais fortes procriam. Mas somos atores sociais, muito mais do que simplesmente bichos (a cada dia mais eu invejo a vida dos meus gatos), e por mais falha que seja a nossa ética, temos um pacto social, como já teorizava Durkheim. E me preocupa ver meninas (muitas vezes literalmente meninas, que ainda estão longe da maioridade!) nessa masmorra.
Há quem faz por ócio, ou entretenimento, dá-se o desconto. Do contrário, assumir um papel social, uma postura de conduta frente a tantos exige muito mais de nós mesmos do que julga nossa inocente moderação. O que vejo são garotas sem nenhuma formação educacional que as ampare nessa tomada de atitude. São meninas frágeis, incompletas, e que tantas vezes acabam saindo dessa brincadeira feridas, traumatizadas, desconstruídas em sua essência, sua feminilidade.
Pra mim, mais um dos tantos reflexos de uma nova ordem do egoísmo, do raise, live and die alone. São filhas de mães que engravidaram sem planejamento (e aqui não falo de planejamento financeiro exclusivamente), só porque seu grande sonho era engravidar. Crianças que crescem cercadas de um amor apático, e que fazem de sua existência uma experiência tão egoísta e solitária quanto suas relações familiares que lhe ditaram a vida (Freud estaria certo sobre mim?).
São as nossas pequenas e problemáticas garotas que vão falar grosso no twitter para à noite chorar silenciosamente no travesseiro, de arrependimento. É isso aí.















